O Pecador e O Pecador
by diimi
O pecado, senhores, encarem, está na cabeça do pecador. O pecado não há de existir, pois se não existe quem possa fazê-los pecados. O pecado não é como se fosse lei: eu dito, é pecado! Foi-se. Não, o pecado não se faz como lei, e também não é de caráter exclusivista, pois quem não peca? Sendo nós todos pecadores, conquanto sejamos perdoados às portas do paraíso perante nosso arrependimento intrínseco, damo-nos o direito de olhar àquele que comete o pecado em igual medida pecado, mas um que não o mesmo que nosso, dizemos: pecado!
O pecado é uma lenda criada para controlar aqueles sem força de espírito, e esses mesmos, por não terem força, quebram as leis do pecado no qual creem pois isso lhes dá o ânimo de serem fortes, pecadores, e ao mesmo tempo frágeis, sujeitos aos distúrbios da carne e do coração, pecadores da mesma forma. Se um culpado é perdoado infinitamente não importando qual foi seu crime ou de que forma fê-lo, esse não é culpado de nada. Se uma lei não é aplicada, sua teoria é existente, mas sua prática não. Um pecado não pode ser aplicado senão naqueles que nele creem, mas nele creem todos pois assim acreditaram seus pais e, ínfimos que são, não lhes cabe nem a oportunidade de escolha das próprias crenças – pegam-as dos pais. Os pecadores creem nos pecados que seus pais disseram um dia acreditar, mesmo que seus pais, em prática, não tenham acreditado ou cumprido nada. Se a fé se baseia simplesmente na continuação de antigos costumes e anedotas sem valor prático ou emocional, eu tenho fé na ingestão de farinha de mandioca no almoço, se não comer é pecado.